Borboleta-do-Medronheiro (Charaxes jasius)

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A Reprodução da Borboleta-do-medronheiro (Charaxes jacius)

O que a seguir se apresenta resultou exclusivamente da observação direta do autor e, consequentemente, é fruto dum conhecimento obtido empiricamente, sem carácter científico nem tal pretensão.
No entanto, trata-se duma gratificante experiência pessoal e aqui a partilho com enorme prazer.
As imagens que verá de seguida foram obtidas, entre 23-05-2019 e 20-08-2019, a partir duma amostra de dezasseis ovos e lagartas existentes num pequeno medronhal de cerca de três hectares, localizado na encosta sul da Serra de Monchique, a uma altitude média de, aproximadamente, 250 metros.
Desses dezasseis exemplares, apenas um terminou o ciclo de vida. Todos os restantes desapareceram.
Predadores (aves, ratos, formigas e outros insectos…), mau tempo (vento, chuva, calor em demasia…) e doenças ou outras causas cumpriram aquilo que será a ordem natural da vida.
A Borboleta-do-medronheiro (Charaxes jasius), considerada a maior borboleta diurna da Europa, é um lindíssimo espécime existente em quase todo o território português onde haja medronheiros (Arbutus unedo).
Segundo algumas opiniões, pode ser observada durante quase todo o ano. Pessoalmente, tenho-a encontrado nos meses de Maio a Outubro.
A sua planta hospedeira, isto é, a planta onde põe os ovos e de que a lagarta se alimenta, é, como o próprio nome indica, o medronheiro (Arbutus unedo).
Põe apenas um ovo em cada folha e árvore e, geralmente, na face superior daquela.
Logo após a postura, o ovo é de cor amarelo-vivo mas irá modificar-se nos dias seguintes.
Por volta do terceiro dia, surge uma auréola de cor vermelha, com um ponto ao centro.
Essas cores irão escurecer progressivamente até que todo o ovo apresente apenas tonalidades de creme e castanho.
A lagarta está a formar-se e, em poucos dias, – cerca de seis ou sete após a postura – irá eclodir.
Por vezes, acontece que o ovo, por não estar fecundado ou por qualquer outra razão, deteriora-se e perde-se. Ou então é devorado por um qualquer predador.
É altura da lagarta nascer e iniciar a sua atividade.
Com cerca de quatro milímetros de comprimento, daqui a menos de dois meses terá mais de seis centímetros…
Começa por comer o que resta do ovo donde nasceu: a casca. Até ao último bocadinho… É a sua primeira refeição.
Seguidamente, ainda com uma cor verde-amarelada, dirige-se para o centro da folha, seu lugar de segurança.
Aí irá ficar grande parte do seu tempo, completamente imóvel, e passará de amarela a verde, confundindo-se com a própria folha.
Alguns dias depois, a primeira grande mudança que irá acontecer por duas vezes mais:
Muda de máscara, substitui as seis antenas e a pele para que possa crescer, aumentando significativamente de tamanho.
Quando já não se sente confortável numa folha só, pode facilmente duplicar a área agregando uma outra, prendendo-as com a sua teia.
É a ela que se agarra, mantendo-se fixa na folha, sem de lá cair, mesmo em circunstâncias difíceis.
Entretanto, faz a sua última mudança de pele para continuar a crescer regularmente até atingir um comprimento superior a seis centímetros.
Nesta fase consome cerca de quatro folhas de medronheiro por dia.
Comendo abundantemente, é claro que também aumenta a produção de excrementos…
Finalmente, começa os preparativos para a sua primeira metamorfose: a transformação de lagarta em crisálida.
Cria uma pequena aglomeração de seda num tronco e fixa-se a ela pela sua parte traseira.
Seguidamente enrola-se sobre si própria e, passado pouco mais de um dia, desfaz-se novamente da pele e ei-la transformada numa crisálida.
Irá permanecer assim imóvel, pendurada no tronco, por cerca de duas semanas.
A pouco e pouco, começarão a surgir pequenas alterações na cor da pele que se irão acentuando com manchas acastanhadas cada vez maiores.
Até que a cor verde desaparece por completo e dá lugar a uma bolsa transparente que nos permite ver claramente as cores da borboleta.
E dá-se a última metamorfose:
A Borboleta-do-Medronheiro (Charaxes jacius) surge, num relance, de dentro daquele invólucro.
Nas próximas quatro ou cinco horas as suas asas irão distender-se, o seu abdómen irá reduzir-se e ela sentir-se-á enérgica e confiante para se lançar no seu voo inicial à procura dum consorte que fecunde os seus ovos, que colocará em diversas folhas de medronheiro, exatamente como as suas ancestrais fizeram, e, assim, assegurar a continuidade da espécie por esses medronhais afora.

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