A Geada-dente-de-cão

Geada -dente-de-cãoHá já bem munto tempo que nã via geada-dente-de-cão cmo esta…

Nã sê se vomecêas já alguma vez viram geada ó não. Calhando, munto menes viram daquela de dente de cão, qu’ era coisa que, qondo ê cá era môce-pequene, caía muntas vezes.

Alembrí-me a falar disto premode um caso que se dé com-migo, inda há bem pôco tempo, numa volta quê cá fui dar com a minha Maria e mái uma carrada de famila. Foi-se numa excursão queles fazeram paí no Intrudo pa quem quesesse ir ver as Grutas d’ Aracena e dar pre lá umas voltas à pata.

Aquilo iam pa lá coisa dumas trinta ó qôrenta pessoas, más um menes um, tudo munto adevertido e fêtinhos pa dar à perna, mái atão o tempo nã corré à nossa fêção e só no permêro dia é qu’ inda andemos quasequer coisinha de jêto. E, méme assim, com um geadão, uma coisa temente…

Alevantamos-se de manhãzinha bem cedo, rapimpamos-se com um quebra-jum queles deram lá na pensão – aquilo era quái à descrição, ora, hôve menino qu’ incheu a pança logo pô dia entêro… – prantaram com a famila toda drento da camineta e foram largar a gente a umas belas cinco ó sês léguas de lonjura.

Geada-dente-de-cãoEra preciso ter munta conta pa nã se dar algum escorregão…

Tã penas abriram a porta da camineta, ê cá fui logo o premêro a sair que, com a barrigada que panhí ô café, já nã ia lá munto bom cá pe drento. Nã é quê use a nã prosar, quisso a minha Maria é que l’ acontêce quái sempre, mái o chòfer dava as curvas qu’ até zunia e, atão, béque-me sintia já assim umas ãinsas e, dora im qonto, até me vinha assim – com lecença da palavra – um gole à boca.

De manêras que saí logo de rompante, panho aquele ar frio qu’ até cortava, digo pra mim:

– Ai que barbêro quele tá aí!… Minhas belas orelhas!…

E, dezer a verdade, inda joguí assim a mão a uma e quái que me parceu quela tava a incurrascar. E a ponta do nariz?!… Ai a ponta do nariz, mês belos amigos!… Nã sê se me doía se nã na sintia…

Mái nã foi sol de munta dura quê cá desqueci-me logo disso tudo. E isso premode quem? É que dí com os olhos numas tôiças que tavam logo da bandinha de lá da valeta, tudo branquinho. Nã é quê cá nã tevesse já repairado, durante o caminho, que tinha caído um geadão marafado e tava tudo esbranquiçado, mái daquela ali já há mái que tempos quê nã na via…

– Nã vês, Maria… Olha lá pra isto!… Esta é de dente de cão!…

– Õi!… Que frio!… Olha lá, sê calho a nã trazer o mê barrêtinho de lã pa pôr na cabeça…

Geada-dente-de-cãoCada passada quma pessoa dava ôvia a geada a se esmigalhar debaxo dos pés…

E, inda mal nã tinha acabado de falar, já o tava a infiar na cabeça até ô canto de baxo das orelhas. Já do mémo nã me pude ê gabar que nem pensí im tal coisa. Sim, quê cá podia munto bem ter levado o mê boné d’ orelhas e tava governado… Mái dêxí-o im casa. Alguma vez ê cudava dir dar com uma coisa daquelas assim tã desviado do monte?!…

O resto da famila que saíu à última da camineta tamém se foram aconchigando com os agasalhos que cada um trazia, mái faziam todos uma clamada qu’ até dava dó. Menes um que vinha lá no banco de trás – tenho tado aqui a ver se me descorre o nome dele mái nã m’ alembra. Esse, más um nada, fecava fechado drento da camineta. Aquilo foi méme à escapúla…

Pro jêto, o homem tinha perdido a nôte, assantô-se lá no banco de trás sozinho, ferrô a dromir, já tinha tudo abalado a andar qondo ele acordô e se viu na camineta sem companha. Desatô a bater no vrido e a chemar pra gente, vá lá qu’ inda hôve quem desse por ela…

Saíu de lá, vinha béque-me mê insampado, deu uma carrêra à mecha toda, aparô um coisinho à minha frente e desata a lambarear. O que me havera d’ acabedar… Logo a mim que queria tirar retratos e nã me calhava nada ir ali a tramelear fosse lá com quem fosse. Vá lá quele, logo a seguir, virô-se pô ôte lado, ia uma moça toda jêtosa ali sozinha, fecô todo crençoso com ela e desquecé-se de mim.

Campo de castanheiros (Castanea sativa)Pro jêto, os castanhêros gostam destes sitos adonde faça frio com fartura…

Ora ê cá aprevêtí logo o atopo, ponho-me a andar ali prê fora a tirar retratos à manadia que foi um consolo. Um consolo até que pisí uma pôça d’ água – cudava ê cá quera água… – e dí um escorregão. Olhem, aquilo, más um nada, dava tamém um bate-cu que ficava todo enlameado, más agarrí-me ali a um tróço dum castanhêro, enquilibrí-me e a coisa nã teve dúveda…

Já agora, pre falar im castanhêros, nã sê c’m’ les incarecer aquilo que pre lá vi. Andamos bem umas duas léguas – pra más que pra menes – e nã se via ôutra coisa que nã fosse tal arve. Mái, nã cudem, tudo alvoredo desposto im carrêras c’m’ deve de ser, tratados a tempo e horas e tudo munto mái velho do quê cá ó vomecêas…

Ora mái velhos… Até me dezeram que tavam lá alguns que, se nã tevessem duzentos anos, pa lá caminhavam… E ôtra coisa: ali ninguém corta uma arve daquelas ó a trata mal. Nã senhora. Nem que seja pôs podar, premêro têm que pedir lecença lá a quem manda naquilo. Calitros?!… Isso pre aquelas bandas nã há tal peste…

Calhando mecêas nã se fiam em mim, podem cudar quê cá tô a abusar, mái tejam certos qu’ aquilo é uma coisa quái do ôte mundo. Im tamanho, im tar bem arrenjado e im qôlidade. Fiquem sabendo que, méme nesta altura, inda panhí lá umas castanhitas per aqueles charazes e tavam quái todas boas pa quemer.

Campo de castanheiros (Castanea sativa)Im castanhêros, nunca tinha visto uma coisa assim. Grandes, bem tratados e muntos…

E boas quelas eram… Despôs d’ incher a barriga é que me vêo à idéa uma coisa: já haveram d’ andar um coisinho chafurdadas dos porcos brabos – javalis, le chamam… Mái já me tinha rapimpado com elas e bicho nã tinham… E que tevessem. Nã se usa a dezer que ‘bicho quê como nã me come ele a mim’?…

Pôs, nã sê se mecêas inda tã alembrados – os mái velhos cmê cá, quos mái nôvos, esses não – já hôve tempo qu’ aqui na nossa Serra tamém havia muntos castanhêros e a famila pôco mái cmia do que castanhas.

Batatas nã as havia, pão munto pôco, vá lá umas bejoarias quem as tinha, e, atão, eram as castanhas qu’ andavam sempe pà frente. Pa nã apodrecerem, até se gôrdavam com todo o precêto. Inda m’ alembra do mê pai – que Dés o tenha… – as interrar im arêa seca drento dum corcho e, em sendo preciso, ir-se lá desinterrá-las…

Gruta das Maravilhas - AracenaAtã nã vêm este lindo serviço?… Iste é béque-me o retrato do que há lá drento das grutas…

Mái, calem-se aí!… O melhor inda tava pra vir…

Ô fim da viaja, em chigando lá a esse tal sito adonde há as tales Grutas d’ Aracena, vinha já com os bofes de fora, assantí-me no premêro banco que me parceu na frente lá num jardim.

Logo, nã dí pre nada. A minha Maria assanta-se na ôtra ponta do banco e dá im me dar sinal

– Diz lá o que queres, melher…

E ela, nada… Só apontava pàs costas do banco e dava assim uma carcachada de gozo…

Até que se resolveu:

– Atã nã vês?!… Olha lá bem praí…

Olhí mái nã alcançava quái nada. Pus as minhas cangalhas, olhí melhor… ai, mãe! dô com aquele desenho que tá ali no retrato… Até me fiz incarnado, com vergonha!…

Nisto, vinha chigando a minha quemade Questóida más o mê compadre Jôquim do Barranco que tinham fecado pa trás… Dô um salto, fequi logo assantado ô mêo do banco munto bem incostadinho a tapar aquela trugia que tá no desenho pa eles nã verem…

Um dia que calhe, logo les conto o resto que se passou a seguir. Tá bom de ver qua minha Maria e a quemade Questóida, marafadas c’m’ são, puseram-se logo a mangar com-migo e fazeram um cagaçal do pior…

E pre qui me fico.

Passem bem e até que Dés quêra.

Abutre-de-Rüppell ou Grifo-Pedrês (Gyps rueppellii)

 Abutre-de-Rüppell ou Grifo-Pedrês (Gyps rueppellii)

Abutre-de-Rüppell ou Grifo-Pedrês (Gyps rueppellii) é uma ave com uma envergadura invejável. Um adulto chega a medir 2,6 metros da ponta duma asa à ponta da outra.

Tem uma aptidão especial para voar a grandes altitudes – na ordem dos 6.000 metros… – e costuma agrupar-se em bandos que, por vezes, ultrapassam os 2.000 indivíduos.

Uma outra curiosidade, segundo consta, é que o seu pescoço passa de rosa a púrpura quando o animal se excita.

O resto está à vista…

Abutre-de-Rüppell ou Grifo-Pedrês (Gyps rueppellii)

Tocadores de fole e Artechique – 2010

Tocador-de-concertinaTal acham esta concertina? E inda toca melhor que muntos foles modernos…

– Se nã vieste à festa dos tocadores de fole, nã sabes qonto perdeste!… E à Fêra do Artesanato tamém. Más ê cá, dezer a verdade, gosto mái dos toques de fole que do resto…

– Ai nã fui… A si é quê cá nã no vi lá. Fique sabendo que nã perdi nem uma moda. Fui bem cedinho, assantí-me numa cadêra e vi aquilo tudo do prencipo ô fim.

– Ai teveste assantado… Qualquer um nã tem essa sorte. Tá bom de ver que só panha lugares desses quem tenha pazes com a famila lá da Junta… Nã é verdade, Refóias?… – E piscô-me o olho, a ver sê cá l’e dava os améns.

Isto era a conversa quo Martinho do Almarjão tava a ter com o Tóino Luzicuco, uma tarde destas, ali memo no Largo dos Chorons, qondo ê cá lá passí caminho além da loja do chinês a ver se dava lá com uma farramenta quê cá tinha preciso pa um serviço que já tenho aqui há que tempos pre fazer.

O quê tinha fêto bem era nã ter levado repáiro neles, fazer de conta que nã nos tinha visto e ir fazer o mê governo, mái as coisas são cme são e, atão, lá les dí uma vaiazinha, méme me parecendo queles tavam os dôs um coisinho escorvados. E tavam mémo. Mòrmente o Tóino Luzicuco qu’ abalô do Alferce logo de manhão e, até àquela hora, inda nã tinha comido coisíssema nenhuma. Só bobido.

Adelino Cruzinha - Tocador-de-foleO amigo Adelino ‘Cruzinha‘ toca cá umas modas quaté dá gosto…

– Atã, digam-me lá uma coisa: no fim de resto foram os dôs ver os homens tocar os foles ali no Encontro de Acordeonistas ó só foi um ó nã foi más é nenhum?…

– Foi-se os dôs, sim, Refóias. Ê cá é que tava a mangar aqui com o Tóino, a ver s’ ele tinha dado pre mim lá, mái vi logo qu’ ele tava tã emprensado lá na tal cadêra da Junta que nem olhava fosse pa donde fosse a nã ser pôs tocadores…

– Atão?… Queria quê cá andasse a ver so lombrigava lá no mêo daquela famila toda?… Era o que faltava!… Ê fui lá foi pa ver eles tocarem aquelas lidessíssemas modas nos foles…

– E nem repairaste im mim que tava ali incostado à parede pa me furtar à soalhêra. Tu cme tavas ali à sombra das tilêras…

– Tevesse ido mái cedo que panhava tamém um lugar cmô meu. E nã era preciso ter pazes com a famila da Junta quê cá tamém nã tenho…

Dezia o Tóino a fazer-se munto sentido ô mémo tempo que largava a mão do tróço da tilêra adonde tava incostado e dava um gangueão tã grande ó tã pequeno que quái que dava uma marrada no Martinho do Almarjão.

Jovem tocador-de-foleEle há prí uns mecinhos nôvos que tamém já tocam quasequer coisinha…

– Quem nã tem sê eu. Agora tu, nã sê, nã sê… Mái chega-te pra lá nã me faças pr’ aqui bater a apèraja. Nã vês que quái que me ias pisando a bota e ê tenho aqui um calo que nã pode ser trelhado…

Respondeu o Martinho já um coisinho infèzado, béque-me quái com o sãingue a le chigar às ventas. Atalhí logo:

– Nã te marafes, Martinho. O homem nã fez isso d’ aprepósito… Mái já que vieram os dôs ver os tocadores, que tal acharam?… Ê cá só vi praí uma àmetade. Tive um impendiclo…

– Sê cá se vieste, Refóias. Atã ê cá nã te cheguí a ver prí… E, despôs das modas, inda m’ assomí ali às barrecas do artesanato e tudo…

– Tanto que vinhe qu’ até tenho lá im casa uma mêa-dúiza de retratos pa apresentar, méme ruins… Nã vês, Martinho, aquilo tava uma soàlhêra qu’ até quem-mava, incostí-me ali a um cantinho à sombra com a minha Maria e dali nã saí senã qondo tive precisão disso.

– Atã e nã amostras isso à gente?…

– Olha, pede aí a quem quereres que t’ as amostre qu’ elas vão ser todas postas na internet. Aquilo dos computadores qua gente dá visto lá tudo o que quer e o que nã quer… Tá num sito alomeado pre ‘Vídeos do Refóias’ e ‘Galeria do XXIII Encontro de Acordeonistas’.

– Ó amigo Refóias, atã e ê cá tamém posso ver isso ó quem?…

Artesãs de trapologiaCom trapos velhos tamém há quem faça coisas bonitas. Cmo estas da parenta Marí Júlia…

– Olha, Tóino, em te passando essa pelhega tamém dás visto. Agora já, calhando, é melhor não. Sabes que jêto? É que, da manêra cme tu tás, o mái certo é veres tudo ôs pares e fecares inda más almareado…

– Almareado, ê cá?!… Olhe pra isto!…

E, béque-me, fez a amenção d’ alevantar assim o pé, cme quem quesesse fazer um quatro pa amostrar que nã tava escarado. E o qué que se deu?… Más um lóre pô lado do Martinho que, se nã é ele le jogar a mão à manga da jaqueta, tinha-se espatarrado no mêo do chão…

– Atã e com respêto ô artesanato – que dos tocadores já vi que gostaram os dôs munto, méme sem me contarem – tamém foi alguma coisa de jêto?

– Ora se foi… Tinha ali uma barreca adonde vendiam umas emperiais, tava méme fresquinha a marafada da cerveja… Comprí uma chôricinha pa acompanhar, nã le digo nada…

– Ê vi logo qu’ era praí que tu imbicavas… Pô lado lá daquelas coisas tã bem fêtas qua famila tinha lá pà gente bispar, isso, tá bom de ver, nã parceste…

– Atã cmé quê cá tinha tempo pa tudo?… Se tava numa banda nã tava nôtra. Só se tá adonde se parêce…

Salta logo o Martinho:

José Inácio Rosa (José 'Ilídio' para os amigos) artesão de vimeO amigo Zé Ilídio tamém impalhô uns garrafanitos aqui na Artechique…

– Nã senhora, ê cá tamém vi lá isso… Até tava lá uma parenta tua com umas coisas quela faz com trapos. Umas bolsas, umas toalhas, aventás e tal e tal… E, olha, pa te falar verdade, aquilo até que tava muntíssemo de bem fêto. Nã sê cmé quela arrenja pacência pa tanto…

– Ê cá tamém vi…

– E nã era só ela. Tavam lá mái umas duas ó três com o mémo. Tudo munto jêtoso. E nã era só isso…

– Pôs não…

– Atã se sabes, diz lá tu, Tóino… O qué que tava lá más?…

– Ora, tavam ôtras coisas…

– Ôtras coisas, ôtras coisas…

Tu nã passaste da barreca da cerveja pà banda de lá, cmé que tu há-des saber…

– …

– Viste a verga? As cadêras de tisoira? E prí fora?…

– Atã nã havera de ver?!… Vi tudo, sa senhora…

– Inda agora dezeste uma coisa, agora dizes ôtra. Vai más é indròminar ôtro…

Encontro de tocadores-de-foleA Senhora Presidenta da Junta é que foi dar as lembranças ôs tocadores de fole…

E a conversa inda tava pa durar sê cá nã tevesse mái nada pa fazer. Mái cme nã tava pa perder o mê governo, despedi-me e fui andando. Tamém, nã tenho precisão nenhuma de falar mái nada da Artechique que mecêas foram lá todos ver aquilo e, atão, é melhor nã nos tar a impertenecer. Mái que aquilo tava do melhor, lá isse tava. Nã les parêce?

Agora, querendem, podem ver alguns tocadores de fole e más alguns retratos da Artechique. É só acalcarem aqui na Galeria dos Vídeos do Refóias e na Galeria do XXIII Encontro de Acordeonistas.

Ó atão, vejam logo aí prebaxinho e oiçam umas modinhas à manêra.

Fiquem-se com Dés.

Galeirão-comum (Fulica atra)

Para ver o slideshow, clique na imagem, se faz favor.

O Galeirão-comum (Fulica atra) é uma ave aquática com caraterísticas muito semelhantes à Galinha-de-água (Gallinula chloropus) que apresentei aqui há uns largos meses com a promessa de fazer também este slideshow de hoje.

Têm uma alimentação semelhante, são omnívoras, muito territoriais e frequentam principalmente cursos de água doce, charcas, lagos, lagoas e zonas alagadiças ou pantanosas.

Proponho-lhe, então, que percorra um pouco da história da vida desta ave através das fotografias que fui obtendo no decurso dos últimos cinco anos.

Para ver o slideshow, clique na imagem, se faz favor.

Em ‘Noite de Reis’ tamém se cantaram as ‘Janeiras’ – 2011


Jolda 'Os Amigos da Fóia'‘Os Amigos da Fóia’, fardados com o sê bonézinho deles, nem sê o que les diga… Sã do melhor que possa ser e haver…

Inda agora aqui cheguí
já les vô a prècurar
se tã bonzinhos de saúde
dã lecença dê cantar…

– Ó parente Zé, cantar o quem?!… Isso foi ontem à nôte. Hoje já é Dia de Rês e, daquem nada, é solposto…

– E quem é que le diz o contráiro?… Sará de caso quê cá já nã possa arremedar aqui um coisinho daquilo queles cantaram, a noite passada, lá no café da Fonte dos Chorons?…

– Poder, pode. Mái que mechas de estilo é esse que mecêa usa qu’ até faz cocégas nas orelhas duma pessoa?!…

– Lá sabe vomecêa um estilo melhor… Cante-o lá quê cá sempe gostava de ver. Vá, parente Jôquim, vá. Mostre lá a sua vertude!…

Isto era a conversa do parente Zé Caçapo, o ‘Verruma’ le chamam, com o mê compade Jôquim do Barranco, im Dia de Rês, os dôs afincados a buber uns copinhos ali no café de cima, já im mêa tarde, qué que me quem diz, quái à noitinha, qu’ isto, agora, os dias nã sã nada. Tã penas o sol cmeça a decer, assim se põe, im menes dum foguete.

'As Figueirinhas' e 'Os Amigos da Figueira'Lá de baxo, do Algarve, vieram ‘As Figueirinhas’ e ‘Os Amigos da Figueira’. Que bela jolda..

Pro jêto, tanto se faz um cmo ôtro, tinham ido, na ôta noite atrás, ver as joldas que vieram ali ô restairante da Fonte dos Chorons cantar os Rês. Os Rês e as Janêras, qu’ isto, agora, já a famila nã tá pa se dar ô trabalho d’ andar aí de porta im porta a cantar tal coisa, na passaja do ano e na nôte de rês, às tensas de le darem um convindado que vá nem venha… E, atão, fazem tudo pre junto.

Ora, a Junta arrenja manêra da famila s’ ajuntar ali no dito restairante e, quem quêra, dá o nome e vai lá cantar. Aquilo, com jêtinho e nã dêxando a coisa munto pô fim, cmê cá fiz desta vez, inda se panha uma felhòzinha pa dar ô dente e um calcesinho de melosa pa alimpar as goélas. Premode, tudo dado pra Junta. E fazem eles munto bem. Que nunca le dôia as manitas…

Pôs ê cá tamém parcí pre lá este ano. Mái fui sòzinho qua minha Maria nã teve jêto de largar o monte e fecô im casa nã sê se dando pontos ó fazendo ôto governo quasequer. Ô certo, ô certo, é quê cá, quando chiguí a casa, já bem de madrugada – era quái uma hora, nã cudem… – já ela tava, munto bem sa senhora boa vida, espatarrada im cimba da cama, a dromir, com a telvisão num barulho parvo. Mái, em ela tendo sono, nem que passe o comboio…

Jolda da LudotecaOs meçalhos da Jolda da Ludoteca tamém já cantavam qualquer coisinha. E tava lá uma mecinha qu’ era munto ingraçada…

E, vai daí, até qu’ aquilo foi uma coisa quê cá gostí. Más olhem que gostí ô bem fêto. Parceram lá umas joldazalhas de mecinhes e tal… quma pessoa já sabia que nã era coisa prí àlém, más é bom qué pa ver sos nôvos nã dêxam perder estes questumes qua famila tinha nos tempos dos avózes deles – que sô ê cá e ôtros cmo eu.

Mái tamém parceram lá ôtres, mormente duas joldas, qu’ eram de ver e chorar pre más. Olhem, uma vêo da Feguêra, lá de baxo, do Algarve. Tinha duas joldas masturadas. Uma de melheres, ôtra d’ homens. Foi uma coisa da pontinha da orelha!… Dava gosto, mês beles amigos. Assim, sim!… Chemavam-se ‘As Figueirinhas e Os amigos da Figueira’.

A ôtra, era de cá. Sã ‘Os amigos da Fóia’. Ah môces marafados!… Té se m’ arrepiaram os cabelos… Desataram a cantar ‘Os Rês’ – queles, atão, nã cantaram ‘As Janêras’ – nunca tinha visto uma coisa assim. Os apontadores eram do melhor, os foles eram uma classe, o estilo era do antigo, e os cantadores cantavam que nem passarinhos… E, nã cudem, tinham farda. Trajavam todos de boné igual…

Havia filhós de ofertaCom um boné destes, uma felhó que nem um capacho e ôvindo joldas a cantar ‘Os Rês’, quem é que nã há-de tar sastefêto…

De manêras que, cmê cá já falí lá atrás, com aquela enfluêinça de ver tudo munto bem sem perder coisíssema nenhuma, fequí sem felhó. Uma mecinha que tava lá à porta da antrada, qondo ê cá chiguí, bem me dé um papelinho e disse-me assim ô ôvido:

– Em l’ apetecendo, apresente-se ali ô balcão com este papelinho queles dã-le uma felhòzinha e um copinho de qualquer coisa. É pre conta da Junta…

– Tá bem – disse ê cá – e Dés le pague m’t’agradecido.

E fequí-me a lember, uma preçanada de tempo, sempe com o fito na felhó e no tal calcesinho dela. Quê cá, atão, béque-me melosa nã gosto munto. Isso é bobida mái de melher. Agora, um calcesinho dela, da boa, isso cai que nem ginjas!…

Mái qonto mái me lembia, mái perdia… Ê cá havera era de ter ido logo lá tratar do caso. C’m’ nã fui, barimbí-me… Im vez disso pus-me a bispar tudo de fio a pavio… atrás duma jolda vinha ôtra, ora… qondo dí pre mim foi já no fim, já ‘Os Amigos da Fóia’ lá iam pra rua afora e ê cá atrás deles. Aí vê-me a felhó à idéa, abalí a fugir ô café, cheguí lá todo escalfado e prècuri à mecinha que tava do lado de drento do balcão:

Jolda do CNE e das Guias de PortugalO CNE e as Guias de Portugal apresentaram-se com esta jolda. Dá gosto ver qos nôvos tamém aprecêam estas coisas…

– Menina, atã inda há prí uma felhòzinha cá pô Parente?

– Felhós?!… A uma hora destas?!… Ai, Parente, tenha pacênça mái já nã há nada disso… Atã, agora é que vem?!…

– Olha que cachamorra esta… Atã ê cá cudava que, em tendo uma senha destas na mão, fecava sempe aí uma f’lhòzinha gôrdada pra mim…

– Põs era pa tar, era… Mái, atão, a uma hora destas, o qué que mecêa quer… Méme que tevesse sobrado alguma, já a gente tinha qua ter jogado pô balde das lavaduras…

– Nã me diga que jogaram a minha?!…

– Alguma vez?!… Onde sará quela vai a estas horas… Calhando, já tá até desmoída e tudo…

– Ai a minha pôca sorte!… Minha bela felhòzinha… Atã sê cá sabesse disso, nã tinha vindo logo aprevêtá-la assim que chiguí?!…

– Atã, pronto. À ôtra vez, já sabe. Nã se ponha a pôco qué pa nã dar nisto. E tome lá uma calcesinho de melosa pa nã perder tudo…

– Melosa?!… Nã pode ser de madronho, menina? É qua melosa é ruim pôs diabêtes. Quê cá, graças ô Devino Pai, nã tenho tal mal, mái quero-me furtar a ele…

– Atã, vá lá um copinho d’ aguardente…

E lá me deu um copinho. E, d’ agora im diante, mês belos amigos, nunca mái caio nôtra. Tã penas lá chegue, passem pra cá o que me acabedar…

Jolda improvisadaEstes meçalhos nem nome tinham. E tamém nã cantavam nada que se dezesse benza-te Dés. Mái que eram bem caçados, lá isse eram…

Mái dêxando isso pa trás das costas e desquecendo uma desfortuna tã grande que foi um homem fecar sem felhó em Noite de Rês – vá lá, vá lá qu’ inda panhí o tal calcesinho dela – sempe les digo que coisas destas – a alembrar os nossos usos e questumes – nunca haveram d’ acabar…

E, isto, agora, é só uma conversa. De parvo, tá bom de ver… Mái, cá pa mê gosto, inda gabava de ver a nôte de rês sem aquela aparelhaja que tava lá no café. As joldas a cantarem c’m’ nôtres tempes. Sem alte-falantes, nem nada. Tenho cá pra mim, quera melhor. Mái a Junta é que sabe…

E tamém gostava de ver o qué qu’ ‘Os Amigos da Fóia’ eram capazes de fazer se tevessem um axilozinho da Junta ó da Cambra pa nã dêxarem este questume das janêras e dos rês levar semiço. Nã era preciso grandes coisas. Mái, cmá senhora Presidenta já me disse qu’ ia pensar no caso, posso dromir im sossego.

Agora, ôtra coisa. Ê cá tirí pa lá uns retratos e uns videozalhos. Fecô tudo uma prequêra, que, à uma, o artista é fraco, e, à ôtra, tava tudo munto pertado e às ‘scuras. E, agora, inda pre cimba, há uma remessa de dias quê cá ando a ver se dô posto aquilo no YouTube e o YouTube béque-me nã quer arreceber tal coisa.

De manêras que, vô-me pertando com esse tal do YouTube a ver se dô fêto alguma coisa dele, e, tã penas tudo teja arredondado, logo ponho aqui as ligaçons pa mecêas darem ido lá ver.

Os retratos já nos podem ver. Acalquem aqui na Galeria da Noite de Reis, fazendem favor.

E fecamos pre qui. Passem todos munto bem, com um ano intêro chêo de saúde e ôtras coisas boas e até qu’ a gente se veja.

A VI Corrida Fotográfica de Monchique – 2011


Vai um calcesinho dela?… Esta aqui prantí-a no tema ‘Gastronomia’

Antrô na Sexta Corrida
de Retratos de Monchique
voltô de cara caída
sem nada qu’ o justefique

nã ganhô prémo nenhum
foi béque-me um desperdiço
e anda prí um zum-zum
que fecô inzainadiço

foi pa lá fazer o quem
ia a filmar quái de gatas
nã vale nem um vintém
vá más é cavar batatas…

ó atão, pa devassar
assome-se à exposição
dos que sabem bem tirar
retratos de eleição.

O homem aventujando o milho antrô no tema ‘Profissões’…

Vejam só bem, mês beles amigos, o quo grandessíssem’ô estapor do Tóino Emilo – o ‘Moita’ le chamam, premode o homem ser narcido e criado na Desmoitada – nã m’ havera de fazer!… Tã penas le chigô ôs ôvidos quê cá nã tinha ganho coissíssema nenhuma na VI Corrida Fotográfica de Monchique, arrenjô logo estas quadras. Calhando, só pa m’ inzucrinar. Que lá gozão é ele…

Pre menes, foi o quo Zé Manel, o filho do mê compade Jôquim do Barranco, me contô. Quê cá, dezer a verdade, désna d’ há umas duas ó três semanas – pra más que pra menes – que nã no vejo e inda nã le falí no caso. Más, em o incontrando, logo le digo umas qontas. E daquelas quos cãs nã gostam!…

– Olha!… Nem d’ aprepósito… Àlém vem ele todo limpêro… Péra aí quê já le digo!…

Salta, logo, a minha Maria:

– Vê lá o qué que fazes praí!… Nã ofendas o homem… Olha que nã se sabe se foi ele…

– Ai nã se sabe… Atã o Zé Manel nã me contô?!..

Os castanheiros a dêxarem cair as folhas todas pra donde é qu’ haveram d’ ir? Pô tema ‘Outono’, tá bom de ver…

– Tejam pre qui com Dés, famila. Atã o qué que se fazem?…

– Ora o qué que se fazemos… Pràqui vamos…

Ramordí ê cá entre dentes, um coisinho, assim, com más modes, im reposta à conversa do Tóino. E ele, béque-me sintiu a ferroada, fez assim uns miécos de quem estranhô quasequer coisa. Más a minha Maria, sempre a querer atamancar tudo, falô-le, logo, munto bem:

– Venha com Dés, ti Tóino. Atã cmé que tem passado? Já há um belo tempo que nã parcia… Mái nã foi pre mal… ó foi?…

– Olhe, nã tem calhado… Mái, graças a Dés, nã tenho rezão de quêxa. Lá pro mê monte a coisa nã tem tado mal, nã senhora…

Ramordí ôtra vez, mái, agora, só cá pra mim:

– Adés minhas incomendas!… Queria-le dar uma desanda, cmé quê cá vô-me fazer isto agora?… A minha Maria meté-se logo de premêo…

Mái, vêo-me assim uma rabeada ô de cimba, digue-le, com os mémes más modes:

Esta, nã sê se fiz bem se fiz mal… Puse-a no tema ‘Caminhadas’…

– Atã e que tal de versos?… Des que têm andado prí a correr uns a mê respêto… Calhando, já passaram lá pro sê monte. Ó abalariam de lá…

– O qué que mecêa me diz, ti Refóias?!… Nã sê de nada… Fazeram-le praí alguma belareta?

– Nã sabe?!… Atã quem é que usa a tirar versos aí, pre tudo e pre nada, a isto e àquilo? Sô ê cá?…

– Ê cá tamém não… Só praí uma vez ó ôtra, já faz munto tempo, é que fiz umas coisalhas. Mái tudo sem emportãinça… Agora tirar-le versos a si, isso nem pensar!…

Ora nem pensar… Nã foi ôtro senã ele… Ê cá é que nã me podia adiantar, quo Zé Manel contô-me aquilo debaxo dum grande segredo… Mái, méme assim, inda voltí ô assunto:

– Atã se nã foi vomecêa, que jêto uma criatura me ter contado que mecêa sabia, já há uns belos dias, quem é que tinha e quem é que nã tinha ganhado os prémos daquela Corrida de Retratos que tá agora lá no ‘Espaço Jovem’ pa ser vista?

– E o qué quisso tem, ê cá saber uma coisa dessas? Ó ê m’ ingano munto ó anda aí a manita do Zé Manel, ali o filho do sê compade Jôquim do Barranco…

Esta aqui, atão, nã tem nada que saber. Foi pô tema ‘Religião’…

– Nã teja já com palpites, quê cá contí-le o milagre mái nã l’ alomií o santo… O Zé Manel nã é paqui chemado… Ê só gostava era de saber quem é que me tirô aqueles versos…

– Olhe, tamém ê cá… Mái lá queles tã fêtos ô consoante, lá isso tão… Mecêa nã fecô assim um coiseco infèzado dos ôtros todos le terem tirado a palhinha?… Atã, pronto…

– Qual infèzado nem mê infèzado!… Isso foi vancêa qu’ enventô tudo e pôs lá nos versos… Se nã fosse perquem, ê logo le dezia… Cuda quê que sô ceguinho e nã vejo logo que foi vomecêa?!… Nã têm mái nada que fazer, metem-se na vida dos ôtres…

– Ó ti Refóias, nã se marafe, home. Atã mecêa nã tem pre questume le dar assim essas gavierras e agora tá aí pior que escamungado premode uma coisa que nã vale nada?…

– Ai que nã vale nada!… Mecêa gostava que le tirassem uns versos destes, a fazerem pôrra de si desta manêra?… Gostava?… Diga lá se gostava, ham?…

– Atã nã havera de gostar?… Se fosse nestas condiçons, gostava…

– Já tá a fazer cachamorra de mim ôtra vez?!… Já nã basta o que basta?!

Pô tema ‘Lazer’, arrenjí esta…

– Nã se inzáine más quê conto-le a verdade, ti Refóias. Mái nã se parêça mal… Isto foi só uma parte quê cá e o Zé Manel le fazemos. Sem ser pre judêria… E ninguém sabe do caso a nã ser a gente.

– O quem?!…

– Sa senhora. Combinamos-se os dôs, ê cá fiz os versos e ele vêo-le contar c’m’ se fosse uma coisa que andasse já prí na boca do mundo… Mái foi só pà gente fazer aqui um coisinho de galhofa consigo e incher-se o papinho a rir.

– À minha conta!… Ê nã le acho é graça nenhuma…

– Agora, veja lá se vai logo amostrar isso a alguém…

E, nisto, parêce o Zé Manel às carcachadas drêto a mim. Atã nã é quos mariolas vinham combinados e ele fecô ali à ponta da casa a ôvir a conversa toda?!… E ê cá fui naquilo que nem um parvinho… Mái cmo eles sã boas pessoas, lá fecamos amigos ôtra vez.

E mecêas nã liguem ôs versos quo Tóino ‘Moita’ tirô qu’ aquilo foi só pa se meterem com-migo.

Querendem ver o resto dos retratos quê cá tirí, acalquem aqui na Galeria da minha VI Corrida Fotográfica de Monchique e vejam à vontade.

E vão tamém lá ô ‘Espaço Jovem’, ô pé da Junta de Freguesia de Monchique, ver a Exposição qué pa saberem o qué bom im retratos de Monchique. E é melhor nã s’ atrasarem munto qu’ aquilo acaba já no dia 25 deste mês…

Dés le dê saúde a todos. E pacência pa m’aturarem.

Borboleta Bela-dama ou Vanessa-dos-cardos (Vanessa cardui)

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A Bela-dama (Vanessa cardui), também conhecida por Vanessa-dos-cardos, é uma extraordinária borboleta de caraterísticas únicas e admiráveis que, como o nome sugere, tem como planta preferida o cardo-selvagem (Cynara cardunculus).

Para além de lindíssima, como pode ver nas fotografias, é das mais espalhadas por todo o mundo. Só não existe na Antártida.

É migratória e bate todos os recordes conhecidos de longa distância, pois, no espaço de um ano, desloca-se desde África ao Círculo Polar Ártico num percurso estimado de 14.000 km. Fá-lo, claro, reproduzindo-se pelo caminho, em seis gerações consecutivas, cada uma passando o testemunho à seguinte que prossegue o viagem até à meta final.

No entanto, em climas temperados, pode tornar-se residente e aparecer em qualquer época do ano.

Talvez por isso, neste dia de Natal, tive a visita do exemplar que aqui apresento. Esteve no meu ‘jardim de varanda‘ e, para além de posar com toda a desfaçatez para a fotografia, estabeleceu uma relação de confiança comigo pousando e permanecendo na minha mão sem medo nem receio.

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Poupa-euroasiática (Upupa epops)

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A Poupa-euroasiática (Upupa epops) é uma ave muito interessante e de aspeto singular.

Facilmente reconhecível pelo seu colorido, poupa bem saliente na cabeça e bico comprido, passa a maioria do tempo no chão onde habitualmente se alimenta.

Tem uma dieta variada na qual inclue insetos, larvas, minhocas, pequenos anfíbios e répteis e a processionária (Thaumetopoea pityocampa), também conhecida por lagarta do pinheiro, uma lagarta bastante perigosa para os humanos e outros mamíferos, que raros predadores se arriscam a comer.

Faz o ninho junto ao chão, geralmente, em tocas rasteiras nos próprios troncos de árvores. É conhecido o cheiro horrível que provém do seu interior e, por esse motivo, diz a ‘sabedoria‘ popular que a poupa é uma ave imunda. Nada mais errado…

Como a generalidade das restantes aves, a Poupa limpa cuidadosamente o seu ninho, mas a fêmea e as crias dispõem duma glândula que, em caso de necessidade, expele um líquido fétido para se defenderem dos predadores, afastando-os com tal insuportável fedor.

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Avélas ou Mirôilas

Sabe o que são avélas ou mirôilas?

Avélas e mirôilas são sinónimos que, no linguajar monchiqueiro, significam papas de milho.

Avélas ou mirôilas

As avélas podem ser feitas de várias maneiras e têm diversas designações.

Nas apresentadas nestas fotografias, temos um tacho de arame cheio de papas com tomates, mas poderiam ser papas-soltêras, papas-môiras, papas com torresmos, com côve ou com chôriça e outras mais…

Consulte estes e muitos outros vocábulosos que fazem parte da cultura oral da Região de Monchique, adquirindo a 2ª edição do Glossário Monchiqueiro.

Faça a sua encomenda pelo email refoias@gmail.com, telemóvel 933 204 852 ou ainda por mensagem privada no Facebook: https://www.facebook.com/refoias.

Avélas ou mirôilas

O Monte Saquir no Inferno de Dante

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Por sete dias, a Montanha Sagrada  –  Monte Saquir para os árabes, Serra de Monchique para nós  –  viu-se, novamente, envolvida no Inferno de Dante.

A freguesia do Alferce ficou reduzida a cinzas e grande parte da de Monchique ardeu também. Restou a de Marmelete que foi poupada este ano.

Pouco mais há a dizer. Todos já sabem o resto. Uns com uma versão, outros com outra.

Há dois anos, publiquei um pequeno vídeo no Youtube, feito no ataque final a um outro incêndio em que uma das frentes foi dominada na Ribeira de João de Gales, Marmelete (https://www.youtube.com/watch?v=KE7HVycso3Q&t=6s). Nesse vídeo, terminava com as seguintes palavras:

Ainda este ano, no próximo, no seguinte e para sempre, teremos mais… Não se iluda caro compatriota. Enquanto os donos dos terrenos e o estado não limparem o mato, enquanto os criminosos forem tratados como pessoas de bem e os cidadãos cumpridores foram tratados como criminosos, enquanto os meios priviligiados de ataque aos incêndios estiverem nas mãos de privados, enquanto o nosso país for gerido por políticos como os que temos tido desde há séculos e, em especial, nas últimas décadas, nada mudará para melhor!…“.

Nada tenho a acrescentar…

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