Flores de Azálea

Todas estas flores pertencem a plantas designadas genericamente por Azáleas e convivem entre si num pequeno parque (Cannizaro Park) nos arredores de Wimbledon, UK.

São da família da nossa ‘Adelfa’ (Rhododendron ponticum subsp. baeticum) que é endémica da Península Ibérica. Em Monchique, como todos sabemos, existe em pouco mais do que uma pequena área do cimo da Fóia e Picota.

O Banho do 29 (2010)

No Banho do Vinte Nove, premêro, rapimpamos-se com o decomerzinho qu’ a gente leva…

Este ano ninguém teve desculpa pa nã ir ô Banho do Vinte Nove. Carruaja havia com fartura qu’ a Junta e a Cambra trataram disso c’m’ fazeram ôs ôtes anos; o tempo tava do melhor, amoroso qu’ até dava gosto, que nem uma arajazinha se sintia. E, méme que muntos digam qu’ isto tá mau, qu’ a coisa tá ruim, eles inda vã p’ aí pagando as reformazalhas à famila… Que jêto a gente nã s’ ir advertir?!…

Foi o qu’ ê cá fiz más a minha Maria e uns tantos amigues. E nã dí o tempo pre mal impregue. Nem ê cá, nem eles. Eles, dig’ ê cá, qu’ a maior parte era elas. E elas, c’m’ mecêas sabem muntíssemo de bem, quái sempe, inda são mái danadas pá galhofa do qu’ ôs homens. E pôs que nã querem crer, olhem bem pôs retratos qu’ ê cá tirí e pôs filmes qu’ a minha mánica tamém fez que logo veem s’ a rezão tá do mê lado ó se nã tá…

D’zer a verdade, já ia pa uns dôs anos qu’ ê cá nã punha lá os pés. Nã que nã goste d’ ir, mái atão as coisas nem sempe calham a nosso favor… Olhem, o ano passado, nã sê se fui ê cá se foi a minha Maria – ó saria-se os dôs… – tava-se com uma catarrêra que nem pensar em im largar o monte. De manêras que f’camos pre qui. E há dôs anos, se nã tô atribuído, o tempo béque-me tava chuvoso que nã dé pa se fazer nada de jêto.

… muntas das vezes, méme p’ à famila da alta, até umas papas com temates dã jêto. E sâ guestosas, nã cudem…

Más olhem, desta vez, as coisas correram-me tã bem, tã bem que nem tampôco tive precisão da via da Cambra… Nas béspras, ó pa melhor d’zer, quái uma semana entes, tive logo aqui a oferta dum amigo que me levava a mim e á minha Maria e más os mês compadres. Foi o parente Cosme da Quinta.

Tá bem qu’ a via dele, uma camineta de caxa aberta, é já um coisinho usada – ora usada… tá quái fêta num caneco!… – e nã é lá gande coisa pa um serviço destes, mái c’m’ àquilo era pa s’ ir de nôte, tapados com o incerado qu’ ele tem lá, e a Guarda, a essas horas, calhando, eram capazes de tar a comer qualquer coisinha e nã andarem aí na estrada a charingar um e ôtro, pegamos na gente e foi-se tôdes. E inda mái uma pagela deles…

Iam tantos c’m’ dez amalhòfados debaxo desse tal incerado. Tirando o chòfer, o compade Jôquim do Barranco e a c’made C’stóida – qu’ esses, foram na cabine más a minha Maria – era ê cá, o Adelino da Desmoitada, um gozão do pior, o Arraúl Vàlise, que teve na França, o ti Luís Agúida, que tem um mata-velhos mái nã anda de nôte que tem medo, o Martinho do Almarjão, alomeado pre Pata-Rasa, o Tóino Luzicuco, sempe de cigarro na boca, o parente Zé Caçapo, Verruma le chamam, sempe a sovinar, e fico-me pre qui qu’ os ôtes iam tôdes acuados ô canto do taipal e já nem m’ alembra bem quem eles eram…

… bebe-se-le, tamém, um calcesinho dela. Da boa, tá bom de ver…

Nôtes tempos, nã era nada disto. O mái que se podia arrenjar era um carro de besta com uns sês ó sete lugares, nã contando com o carrêro. Quem nã t’vesse carro de besta ó d’nhêro pô alugar, qu’ era o que se dava com quái tôdes, ia a pé ó, calhando a terem um burro na arramada, amontavam-se nele, à vez, e passadas umas quatro ó cinco horas, chigavam o sê destino deles, na Praia do Vau.

Mái nã cudem, lá p’r isso, a galhofa nã f’cava nada atrás do qu’ a famila faz hoje im dia… Mái pra más do que pra menes. Nã veem, é qu’ ir désna de Monchique – levem bem repáiro que d’zer Monchique é o mémo que falar na Serra toda; é o concelho duma ponta à ôta – até à Praia do Vau de carro de besta ó a pé inda levava umas belas horas e a famila tinha qu’ ir logo adiantando algum serviço…

De manêras que, ia-se andando e c’mendo. Uns pexinhos da horta, uns coisinhos de chôriça, uma felhòzinha, umas coisinhas assim… E pa impurrar isso tudo pas goélas abaxo e nã imbassar, o qu’ é qu’ uma pessoa podia fazer?… Tá claro, bubia-se-le uns porrêtes… Ora aquilo dava cá uma enfluêinça!… Nem o caminho custava a andar…

… charola-se e balha-se um belo pôcachinho pa desmoer a pelharcada…

Esta conversa fez-me vir à idéa o que se dé desta vez. O Tóino Luzicuco, sempe com a mania do fumar, que nã pode passar, tava-se a gente tôdes munto bem sa senhora boa vida amalhòfados debaxo do incerado, puxa da su onça ‘Águia‘ dele e do sê livro de papel béque-me da méma marca, tira uma mortalha, despeja-le um coisinho de tabaco pa drento e vá d’ inrolar. Pensí cá pra mim:

– Nã me digam qu’este saganheta vai-se pôr a fumar aqui mémo num sito destes…

Inrolô, inrolô… passô-le cuspinho com a língua na ponta da mortalha, deslizô-le o dedo duma ponta à ôta p’ àquilo colar, dé umas batidinhas com a ponta do cigarro na unha do dedo grande – há quem le chame o mata-piolhos… – e pôse-o na boca. Inda ramordí cá pra mim:

– Eh’q, aquilo, calhando, é só pa ele matar o viço e nã no acende… Senã a gente inda cuda de morrer aqui com falta d’ ar e desata tudo a tossir.

Qual o quem?!… Tã penas olho ôta vez pa ele, já o marafado tinha tirado uma caxa de forfes da alsebêra e toca de puxar um forfe pô acender. Mái, às escuras, o Tóino nã fechô bem a caxa. Ora, nesse mê tempo, o parente Cosme teve que fazer uma travaja a fundo… Só mái tarde é que sube que se l’ atravessô um bicho na frente da camineta… Ele bem qu’inda riscô o forfe, sa senhora, e acendeu-o, mái atão, com o balanço, os ôtes desparceram tôdes da caxa… Desata tudo numa risada:

… e só despôs é que s’ afituramos a ir pa drento d’ água…

– Ai Tóino que lá se foram as tuas acendalhas todas!… E, calhando, o cigarrinho tamém…

– Nã queria mái nada!… O cigarrinho tá aqui na boca e este forfe inda tá im chama. Dêxa-me lá acender o cigarro entes qu’ ele s’ apague…

– Olha lá nã sabes que nã é atorizado fumar im sitos fechados?!… Nã vês qu’ isto aqui é c’m’ se fosse lá na venda do Alferce… Eles lá dêxam-te fumar?…

– Nã vejo aqui nenhum papel na parede a d’zer o contráiro. De manêras que nã se ponha com coisas. Más a más qu’ o sito é bem arejado…

E pôs-se a ver se dava panhado os forfes que tinham caído. Mái atão, com o vento que antrava pa drento do encerado com o andar da camineta, adonde é qu’ eles já tavam… Nem um…

– Bem fêta, qu’ é p’ à ôta vez respêtares. E, agora, munto bem me calhava qu’ o vento tamém te levasse o cigarro da boca…

E dí uma piscadela d’ olho ô ti Zé Caçapo. Ele, pre alguma rezão le chamam o ‘Verruma’, intendé logo, vai assim p’ trás do Tóino Luzicuco, c’m’ quem nã quer a coisa, dá-le um toque de lado com uma mão, ele volta a cara, ô méme tempo, dá-le ôtro toque no cigarro com a ôta mão, lá vai ele pros ares…

Otra risada im forte… Más aí, o Tóino f’cô um coisinho sintido e desatô a d’zer alarvidades. Se nã é o ti Zé Caçapo ser um homem duma certa idade, nã sê nã sê… Inda vi jêtos do Tóino se jogar a ele. Mái a coisa lá atamancô e, dali a um nadinha, tava-se a chigar à Praia do Vau.

… ô fim, volta-se p’ra casa, tôdes sastefêtes, com a trugia toda às costas…

Do que se passô lá méme na arêa da praia já mecêas hã-de saber. Foi tudo munto advertido, a famila incheu tudo o bandulho até mái não. De coisas pa buber, só f’cô lá a água do mar. Quái tôdes balharam, cantaram e uns tantos que t’veram mái fôiteza sempe se jogaram à água pa se lavajarem e p’ à SIC filmar.

Só o que les sê d’zer é que inda pus os caguetes tamém drento d’ água e, d’zer a verdade, nã na achí munto fria, mái c’m’ à minha Maria se tinha desquecido da toalha im casa e as cirôilas qu’ ê cá levava eram novas nã me dava jêto molhá-las logo, só cheguí com a água pros artelhos. Mái hôve menino que antrô lá pa drento e quái que já nem queria sair. Ôtes, atão, insiavam-se duma tal manêra qu’ ê cá até os ôvia méme ali à babuja. E, no mêo daquilo tudo, inda béque-me hôve lá um que vinha a arrabolar inrolado numa onda…

Querendem ver videos e retratos do que se passô lá, vã ô Parente da Refóias na internet.

Dés le dê saúde.

Almêxár

Sabe o que é um almêxár?

Um almêxár, no linguajar monchiqueiro, é uma secagem de maçarocas (espigas de milho), feita ao ar livre diretamente ao sol.

A palavra em português corrente é almanxar e é proveniente do árabe, que tinha exactamente o mesmo termo para designar secagem.

No Algarve (designação monchiqueira de Algarve Litoral) a palavra significa secagem de figos, naturalmente. Só que na Serra de Monchique não se secam figos…

Veja um almêxár na fotografia abaixo, mas pode consultar este e muitos mais termos que fazem parte da cultura oral da Região de Monchique, adquirindo a 2ª edição do Glossário Monchiqueiro.

almêxár

 

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)
Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

A Galinha-de-água (Gallinula chloropus) é uma ave aquática que se pode observar em muitos rios e ribeiras, barragens, lagoas e até charcas. Tem um bico inconfundível de que sobressaem as cores vermelho e amarelo intenso.

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)
Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

É muito territorial e extremamente agressiva para com os intrusos pelo que são constantes as lutas entre concorrentes da mesma família.

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)
Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

Curiosamente essa agressividade contrasta com a meiguice e carinho com que trata das crias que, assim que nascem, começam logo a explorar as redondezas do ninho que, habitualmente, está localizado no meio dum reservatório ou curso de água.

Tem um ‘parente’ muito chegado, o Galeirão-comum (Fulica atra), que frequenta o mesmo habitat e tem comportamentos muito semelhantes, de que oportunamente apresentarei também algumas fotografias.

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

A Galinha-de-água (Gallinula chloropus) é uma ave aquática que se pode observar em muitos rios e ribeiras, barragens, lagoas e até charcas. Tem um bico inconfundível de que sobressaem as cores vermelho e amarelo intenso.

É muito territorial e extremamente agressiva para com os intrusos pelo que são constantes as lutas entre concorrentes da mesma família.

Curiosamente essa agressividade contrasta com a meiguice e carinho com que trata das crias que, assim que nascem, começam logo a explorar as redondezas do ninho que, habitualmente, está localizado no meio dum reservatório ou curso de água. Tem um ‘parente’ muito chegado, o Galeirão-comum (Fulica atra), que frequenta o mesmo habitat e tem comportamentos muito semelhantes.

Oportunamente, mostrarei aqui algumas fotografias suas.

A Descasca de Marmelete (2011)

Ele inda há quem saiba descascar bem uma maçaroca…

– Nã quero. É que já me fazeram marafar! Já me fazeram marafar!…

Saltô o ti Batizar, tã penas a menina Marta, a Senhora Presidenta da Junta – sem ofensa, sempe munto jêtosinha… – le pôs a cesta dos bolos ô alcance e le prècurô s’ im cimba da fatêa do bolo de alforge, tamém queria molhar o bico com um calcesinho dela.

– Já, o ano passado, foi a méma meséira… Fazeram-me marafar!…

E olhava assim de esguelha, munto desconsolado, pô calcesinho de madronho qu’ a senhora presedenta sustinha numa mão e, inda mái desgostoso, pá garrafinha de madronho, já im mêo esvaziar, que ela sigurava na ôta.

Dezer a verdade, nãs sê o qu’ é que fazeram ó dezeram à criatura. Mái teve que ser coisa munto manhosa. Pa ele fecar daquela manêra e nem tampôco se jogar a buber um solvinho… E digo um solvinho qu’ aquilo nã podia acabedar um copalho daqueles chêo a cada um, senã a garrafa ia-se num estante e nã dava pa dar as provas a tôdes…

– E isto passava-se adonde? – Prècuro ê cá a vomecêas tôdes.

Ora, adonde é que havera de ser… Foi na descasca de Marmelete!… Pôs foi. Tôdes anos, a Junta de Marmelete arrenja esta descasca pôs velhos c’m’ ê cá, s’ alembrarem do q’ usavam a fazer nôtres tempos e, pôs nôvos, que nã conheceram tal coisa, f’carem a saber cmo era.

E olhem qu’ ê cá, s’ há coisas qu’ ê aprecêo, é ir a uma descasca e ver ali tudo jogado à maçaroca a le tirar a folhêrasca c’m’ tava aquela famila toda a fazer na Descasca de Marmelete…

Uns dem pé com as botas atafulhadas nas folhêrascas, ôtes assantadas no monte das maçarocas panhando com a pòzêra do milho e uns cabelos de charrafa im cimba da cabeça e dos ombros, vá de descascarem nelas…

Vá lá qu’ ô meme tempo, iam ôvindo umas modinhas qu’ o tocador de fole p’ ali arremendava… E tamém aprevêtavam pa d’zer umas patochadas pa tôdes se rirem. Quái sempe, verdade se diga, era mái umas puas pa inzàinar este ó aquele do qu’ ôta coisa.

A menina Marta esvaziô uma garrafa de madronho com aquela famila toda. Mái o ti Batizar nã quis…

E, desta vez, a famila era béque-me mái qu’ o ano passado. Ó ê cá tô atribuído ó atão nã sê. Ô certo, ô certo, é qu’ aquilo, im menes dum foguete, já tavam as maçarocas todas descascadas. Calhando, tamém a coisa andô mái depressa premode tar tudo com o fito no balho que, em acabando a descasca, ia haver drento da Casa do Povo…

Mái, meme assim, inda parcé lá uma maçaroca incarnada, coisa qu’ ê cá já nã punha os olhos im riba faz uns belos anos. Qu’ isto, d’ há uns tempes pra cá, já ninguém samêa milho do antigo. Agora é só deste moderno, híbrido le chamam. Ó nã sê até se nã sará dum ôtro, inda mái moderno, qu’ eles enventaram que se tem que comprar, tôdes anos, a semente. Des qu’ é ‘geneticamente modificado’…

E desses marafados, atão, aquilo, as maçarocas, parêcem todas iguás, do mémo tamanho, da méma cor, com os mémos bagos e méme xarrafa pôca têm… Ora, dar com uma que tenha milho incarnado, isso atão, sósse pre milagre. E desta vez, p’ro jêto, hôve lá uma moça que foi milagrêra. Dé com uma no mêo das ôtas todas. Só que nã fez o que tinha a fazer…

Ele hôve quem l’ acabedasse uma maçaroca de milho incarnado. Mái nã fez o que tinha a fazer…

No mê tempo, quem desse com uma maçaroca de milho incarnado, tinha de pagar uma rodada de bêjos e abraços. Se fosse um môce, dava nas moças, se fosse uma moça, dava nos môces…

Esta, na Descasca de Marmelete, negô-se ô puxo e dé uma ronciada. Mái lá que f’cô contente com a maçarocalha, lá isso f’cô. Qu’ ê bem na vi andar o resto da nôte de maçaroca na mão, que nã na largô nem tampôco inqonto andô lá no balho a balhar im forte. Mái dêxamos isso agora da mão…

Ôta coisa qu’ ê cá leví repáiro foi que a Cambra, desta vez, mandô uma camineta com a famila lá da Vila. E fez ela senã bem… Assim, ajuntaram-se mái uma bela mêa-dúiza. E alguns, pr’ aquilo que vi, foi a pr’mêra vez que lá foram. Mái nã deram o tempo pre mal impregue. Disso tenho a firme certeza…

A famila da Cambra tamém tava tudo no pagode…

Pre menes, a famila que manda lá na Cambra tava tudo advertido qu’ até dava gosto. Tanto se faz o Senhor Presidente c’mos ajudantes dele, foi até mái não… Descascaram maçarocas à rôpa toda, c’meram bolo d’ alforge, buberam uns calcesinhos dela e, d’ ora im qonto, judiavam uns com os ôtos.

E, a cabo dum pôco, já ele nã havia lá nada naquele chão senã um monte f’lhêrascas. Sim, qu’ as maçarocas descascadas, essas, já tavam drento de sacas de ráfia, im moitons, prontas para serem jogadas pa drento da camineta da Junta, pás irem levar pô almêxar.

Qu’ ê cá, atão, nã les posso afiançar qu’ o dono tenho fêto algum almêxar. Mái o que era dado fazer era isso. Pôr-se-as a secar, todas munto bem estramalhadinhas, num sito d’rêto, adonde panhassem o solinho todo do dia. E f’car-se sempe com o olho no astro, nã fosse ele vir alguma gota d’ água que marafasse aquilo tudo…

Ô fim, inda parceram as f’lhozes da senhora Ester, que sã do melhor que possa ser e haver…

Lá já do mêo prô fim, – c’m’ ê cá falí logo no prencipo – vêo, atão, a Senhora Presidenta da Junta, a menina Marta, com uma cesta de fatias de bolo d’ alforge e uma garrafinha d’ aguardente de madronho e lá foi dando aquilo a quem se quis rapimpar.

A fartura, verdade se diga, nã era munta, mái foi de boa vontade. Lá isso foi qu’ ê bem vi que foi. E sempe dé pa alimpar as goélas daquela pòzêra que saía da fatana do milho… Havia menino que, entes de provar a aguardentinha, só fazia era tossir. Parecia que tava tudo com polmêro. Mái, tã penas impinavam o calcesinho dela, já nã havia tosse denhuma e rôquêra inda munto menes…

Olhem, fica-se pre quí hoje.

Querendem ver videos e retratos do que se passô lá, vã ô Parente da Refóias na internet.

E tenham tôdes munta saúde.