Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)
Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

A Galinha-de-água (Gallinula chloropus) é uma ave aquática que se pode observar em muitos rios e ribeiras, barragens, lagoas e até charcas. Tem um bico inconfundível de que sobressaem as cores vermelho e amarelo intenso.

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)
Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

É muito territorial e extremamente agressiva para com os intrusos pelo que são constantes as lutas entre concorrentes da mesma família.

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)
Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

Curiosamente essa agressividade contrasta com a meiguice e carinho com que trata das crias que, assim que nascem, começam logo a explorar as redondezas do ninho que, habitualmente, está localizado no meio dum reservatório ou curso de água.

Tem um ‘parente’ muito chegado, o Galeirão-comum (Fulica atra), que frequenta o mesmo habitat e tem comportamentos muito semelhantes, de que oportunamente apresentarei também algumas fotografias.

Galinha-de-água (Gallinula chloropus)

A Galinha-de-água (Gallinula chloropus) é uma ave aquática que se pode observar em muitos rios e ribeiras, barragens, lagoas e até charcas. Tem um bico inconfundível de que sobressaem as cores vermelho e amarelo intenso.

É muito territorial e extremamente agressiva para com os intrusos pelo que são constantes as lutas entre concorrentes da mesma família.

Curiosamente essa agressividade contrasta com a meiguice e carinho com que trata das crias que, assim que nascem, começam logo a explorar as redondezas do ninho que, habitualmente, está localizado no meio dum reservatório ou curso de água. Tem um ‘parente’ muito chegado, o Galeirão-comum (Fulica atra), que frequenta o mesmo habitat e tem comportamentos muito semelhantes.

Oportunamente, mostrarei aqui algumas fotografias suas.

A Descasca de Marmelete (2011)

Ele inda há quem saiba descascar bem uma maçaroca…

– Nã quero. É que já me fazeram marafar! Já me fazeram marafar!…

Saltô o ti Batizar, tã penas a menina Marta, a Senhora Presidenta da Junta – sem ofensa, sempe munto jêtosinha… – le pôs a cesta dos bolos ô alcance e le prècurô s’ im cimba da fatêa do bolo de alforge, tamém queria molhar o bico com um calcesinho dela.

– Já, o ano passado, foi a méma meséira… Fazeram-me marafar!…

E olhava assim de esguelha, munto desconsolado, pô calcesinho de madronho qu’ a senhora presedenta sustinha numa mão e, inda mái desgostoso, pá garrafinha de madronho, já im mêo esvaziar, que ela sigurava na ôta.

Dezer a verdade, nãs sê o qu’ é que fazeram ó dezeram à criatura. Mái teve que ser coisa munto manhosa. Pa ele fecar daquela manêra e nem tampôco se jogar a buber um solvinho… E digo um solvinho qu’ aquilo nã podia acabedar um copalho daqueles chêo a cada um, senã a garrafa ia-se num estante e nã dava pa dar as provas a tôdes…

– E isto passava-se adonde? – Prècuro ê cá a vomecêas tôdes.

Ora, adonde é que havera de ser… Foi na descasca de Marmelete!… Pôs foi. Tôdes anos, a Junta de Marmelete arrenja esta descasca pôs velhos c’m’ ê cá, s’ alembrarem do q’ usavam a fazer nôtres tempos e, pôs nôvos, que nã conheceram tal coisa, f’carem a saber cmo era.

E olhem qu’ ê cá, s’ há coisas qu’ ê aprecêo, é ir a uma descasca e ver ali tudo jogado à maçaroca a le tirar a folhêrasca c’m’ tava aquela famila toda a fazer na Descasca de Marmelete…

Uns dem pé com as botas atafulhadas nas folhêrascas, ôtes assantadas no monte das maçarocas panhando com a pòzêra do milho e uns cabelos de charrafa im cimba da cabeça e dos ombros, vá de descascarem nelas…

Vá lá qu’ ô meme tempo, iam ôvindo umas modinhas qu’ o tocador de fole p’ ali arremendava… E tamém aprevêtavam pa d’zer umas patochadas pa tôdes se rirem. Quái sempe, verdade se diga, era mái umas puas pa inzàinar este ó aquele do qu’ ôta coisa.

A menina Marta esvaziô uma garrafa de madronho com aquela famila toda. Mái o ti Batizar nã quis…

E, desta vez, a famila era béque-me mái qu’ o ano passado. Ó ê cá tô atribuído ó atão nã sê. Ô certo, ô certo, é qu’ aquilo, im menes dum foguete, já tavam as maçarocas todas descascadas. Calhando, tamém a coisa andô mái depressa premode tar tudo com o fito no balho que, em acabando a descasca, ia haver drento da Casa do Povo…

Mái, meme assim, inda parcé lá uma maçaroca incarnada, coisa qu’ ê cá já nã punha os olhos im riba faz uns belos anos. Qu’ isto, d’ há uns tempes pra cá, já ninguém samêa milho do antigo. Agora é só deste moderno, híbrido le chamam. Ó nã sê até se nã sará dum ôtro, inda mái moderno, qu’ eles enventaram que se tem que comprar, tôdes anos, a semente. Des qu’ é ‘geneticamente modificado’…

E desses marafados, atão, aquilo, as maçarocas, parêcem todas iguás, do mémo tamanho, da méma cor, com os mémos bagos e méme xarrafa pôca têm… Ora, dar com uma que tenha milho incarnado, isso atão, sósse pre milagre. E desta vez, p’ro jêto, hôve lá uma moça que foi milagrêra. Dé com uma no mêo das ôtas todas. Só que nã fez o que tinha a fazer…

Ele hôve quem l’ acabedasse uma maçaroca de milho incarnado. Mái nã fez o que tinha a fazer…

No mê tempo, quem desse com uma maçaroca de milho incarnado, tinha de pagar uma rodada de bêjos e abraços. Se fosse um môce, dava nas moças, se fosse uma moça, dava nos môces…

Esta, na Descasca de Marmelete, negô-se ô puxo e dé uma ronciada. Mái lá que f’cô contente com a maçarocalha, lá isso f’cô. Qu’ ê bem na vi andar o resto da nôte de maçaroca na mão, que nã na largô nem tampôco inqonto andô lá no balho a balhar im forte. Mái dêxamos isso agora da mão…

Ôta coisa qu’ ê cá leví repáiro foi que a Cambra, desta vez, mandô uma camineta com a famila lá da Vila. E fez ela senã bem… Assim, ajuntaram-se mái uma bela mêa-dúiza. E alguns, pr’ aquilo que vi, foi a pr’mêra vez que lá foram. Mái nã deram o tempo pre mal impregue. Disso tenho a firme certeza…

A famila da Cambra tamém tava tudo no pagode…

Pre menes, a famila que manda lá na Cambra tava tudo advertido qu’ até dava gosto. Tanto se faz o Senhor Presidente c’mos ajudantes dele, foi até mái não… Descascaram maçarocas à rôpa toda, c’meram bolo d’ alforge, buberam uns calcesinhos dela e, d’ ora im qonto, judiavam uns com os ôtos.

E, a cabo dum pôco, já ele nã havia lá nada naquele chão senã um monte f’lhêrascas. Sim, qu’ as maçarocas descascadas, essas, já tavam drento de sacas de ráfia, im moitons, prontas para serem jogadas pa drento da camineta da Junta, pás irem levar pô almêxar.

Qu’ ê cá, atão, nã les posso afiançar qu’ o dono tenho fêto algum almêxar. Mái o que era dado fazer era isso. Pôr-se-as a secar, todas munto bem estramalhadinhas, num sito d’rêto, adonde panhassem o solinho todo do dia. E f’car-se sempe com o olho no astro, nã fosse ele vir alguma gota d’ água que marafasse aquilo tudo…

Ô fim, inda parceram as f’lhozes da senhora Ester, que sã do melhor que possa ser e haver…

Lá já do mêo prô fim, – c’m’ ê cá falí logo no prencipo – vêo, atão, a Senhora Presidenta da Junta, a menina Marta, com uma cesta de fatias de bolo d’ alforge e uma garrafinha d’ aguardente de madronho e lá foi dando aquilo a quem se quis rapimpar.

A fartura, verdade se diga, nã era munta, mái foi de boa vontade. Lá isso foi qu’ ê bem vi que foi. E sempe dé pa alimpar as goélas daquela pòzêra que saía da fatana do milho… Havia menino que, entes de provar a aguardentinha, só fazia era tossir. Parecia que tava tudo com polmêro. Mái, tã penas impinavam o calcesinho dela, já nã havia tosse denhuma e rôquêra inda munto menes…

Olhem, fica-se pre quí hoje.

Querendem ver videos e retratos do que se passô lá, vã ô Parente da Refóias na internet.

E tenham tôdes munta saúde.